O Séptimo Copo: Retro
Bom, em falta de inspiração, decidi postar aqui um texto que escrevi há uns anos. Aqui vai:
Um exercício... para a imaginação.
Escuridão... Um ponto branco e brilhante surge por entre as trevas, uma estrela solitária, abandonada num universo frio e vazio... Uma explosão... Uma miríade de cores surge daquele pequeno ponto branco, preenchendo rapidamente a escuridão, trazendo algo de novo à existência. As cores juntam-se, criando matéria e tomando formas várias. Nasce um novo universo, colorido, variado... Completamente diferente do nada que existia anteriormente.
O pequeno ponto branco mantém-se lá no meio, completamente inconsciente da sua criação... Navega silenciosamente por entre tudo aquilo, chocando contra objectos que há poucos momentos nem sequer existiam. De repente, algo novo surge: consciência...
O pequeno ponto branco aumenta de tamanho... Estica-se em várias direcções e a sua fraca cor torna-se rapidamente num brilho celestial e o seu aspecto humanóide... Duas marcas negras de formas elíptica aparecem na sua cabeça recém-formada... A criatura pode agora ver a sua criação.
A sensação é maravilhosa... As cores são belas e as formas caóticas... Um mundo sem qualquer sentido, sem qualquer finalidade... Um mundo de beleza, de paz por entre o caos. A criatura sente algo: carinho e admiração por tudo aquilo que saiu dela, tudo aquilo que ela criou, tudo aquilo que existe. E continua a navegar, a apreciar a sua obra e a saborear as emoções são despertadas por ela.
Até que um dia, a criatura deparou com algo... Um vazio na sua obra... Uma zona negra, fria... feia. A criatura rapidamente se lembrou do lugar onde surgira, quando era apenas um pequeno ponto branco, vindo do nada. O ódio acendeu-se imediatamente na sua alma. Como era possível que aquele lugar maldito ainda existisse? Como poderia ela permitir que aquela coisa feia ficasse ali, no meio da sua bela criação colorida? Ela não podia permitir que aquela maldita coisa estivesse ali a estragar o seu mundo. Sempre os seus olhos passavam por esse lugar escuro, a criatura lembrava-se do lugar de onde tinha vindo, e sentia vergonha. Era impensável que ela, a criadora de tudo o que era belo, tivesse um dia sido um insignificante ponto branco no meio da escuridão... O lugar escuro tinha de ser destruído...
Ora bem, que melhor maneira de o destruir senão enchê-lo de cor? A criatura rapidamente começou a agarrar em tudo o que tinha à mão e a atirar a sua criação para aquele buraco, até que o encheu... Mas, para sua surpresa, quando se virou apercebeu-se que abrira um novo no sítio de onde havia tirado tudo o que atirou para o buraco. A cólera tomou conta da sua mente, e imediatamente tentou tapar aquele buraco da mesma maneira... E isto repetiu-se por uma eternidade.
Um dia, porém, a criatura chegou à conclusão de que se havia criado aquele mundo, poderia criar mais alguma coisa para tomar o lugar daquela escuridão. E então, começou a usar a sua própria luz para encher o buraco, que foi diminuindo. O tempo foi passando, a escuridão foi-se enchendo de luz. Porém, à medida que aquele pequeno pedaço de escuridão ia diminuindo, o mesmo acontecia com a criatura. Até que um dia, ela voltou a ser um pequeno ponto branco, sem qualquer luz para dar. E a escuridão ainda lá estava, sendo agora de enormes proporções comparada com o pequeno ponto branco. Quando a criatura se apercebeu do estado em que estava, amaldiçoou a sua estupidez. E nessa altura, algo novo apareceu no seu mundo: o vento. E esse vento, inevitavelmente, atingiu o pequeno ponto branco, já inconsciente devido à sua fraqueza, empurrando-o para dentro daquela enorme zona escura.
E assim, um dia, surgiu um pequeno ponto branco, por entre as trevas de um universo frio e vazio.


2 Comments:
O problema desse ponto branco foi o B.S...deixou-o cair e infelizmente apanhou-o!!!
o que faz falta são pontos brancos que encham de cor a nossa vida! Tu ´~oes cor na minha!
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